bg_image

DIVULGAR, CONECTAR E FORTALECER A QUÍMICA NACIONAL: O PAPEL DA QUÍMICA NOVA

QN, vol. 49, 2026

A Química Nova é uma revista de acesso aberto que acompanha e fortalece a ciência brasileira na área da Química desde 1978. Publicada pela PubliSBQ, responsável pelas edições da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), consolidou-se como referência para a comunidade envolvida com a ciência química no Brasil e na América Latina ao longo de quase cinco décadas. Seu escopo abrange pesquisas originais em todas as áreas da Química, artigos de revisão, notas técnicas e debates sobre temas gerais de relevância nacional.1

Indexada em bases como SciELO, SCOPUS e Web of Science, a revista garante ampla disseminação dos trabalhos, majoritariamente publicados em português, mas com crescente presença de artigos em espanhol e inglês. Os manuscritos submetidos passam por avaliação rigorosa de consultores ad hoc, nacionais e internacionais, assegurando profissionalismo, ética e qualidade científica. Desde o primeiro volume, a Química Nova é amplamente lida em todo o território brasileiro, sendo utilizada como referência desde o ensino fundamental e médio, até cursos de graduação e pós-graduação no país. Ao longo de sua história, a revista tem contribuído para romper barreiras, fomentar discussões relevantes para a comunidade química e para a sociedade brasileira em geral, apoiar políticas públicas e divulgar inovações em todas as áreas da Química, oriundas de diferentes regiões do país. Atualmente, cerca de 75% dos trabalhos publicados na Química Nova são submetidos por autores nacionais (Figura 1); essa proporção aproximada de 3:1 é uma tendência que tem sido observada nos últimos anos.

Figura 1. Porcentagem de trabalhos submetidos anualmente por autores nacionais e estrangeiros na Química Nova. A média de submissões nos últimos 4 anos foi de 326 artigos por ano

Embora o fator de impacto da Química Nova ainda seja modesto, suas contribuições vão muito além das métricas do Journal Citation Reports (JCR/Clarivate). A revista está presente em diferentes cenários: como os primeiros artigos consultados por jovens pesquisadores ainda na iniciação científica, garantindo o acesso a conceitos atualizados em língua portuguesa, no preparo de aulas para o ensino fundamental e médio, nos cursos de graduação e até em questões do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Tem sido também o fórum de divulgação, em língua portuguesa, do estado-da-arte em vários campos da Ciência Química, contribuindo não apenas para contextualizar o impacto da pesquisa nacional na fronteira do conhecimento, mas também para estabelecer critérios de qualidade em pesquisa e nomenclaturas de termos químicos em português. Trata-se de uma contribuição que não pode ser traduzida apenas em números, mas que se manifesta de forma concreta na formação de estudantes, professores e futuros cientistas. A contribuição da pesquisa publicada na Química Nova para o fortalecimento dos Programas de Pós-Graduação em Química no cenário nacional tem sido reconhecida há duas décadas e continua relevante até os dias atuais.2 A Química Nova transforma vidas ao democratizar o acesso ao conhecimento e ao impulsionar o desenvolvimento da ciência brasileira.

Acreditamos que a Química Nova continua sendo o espaço certo para dar voz às suas ideias, seja no início da carreira ou na consolidação de trajetórias científicas. Ficaremos felizes em publicar seu primeiro trabalho de pesquisa na Química Nova, ou aquele estudo completo e especial que revela uma inovação na química ou em áreas correlatas. Pensamos também no impacto que sua experiência em uma linha de pesquisa consolidada pode ter no início de outras pesquisas por meio de um artigo de revisão. Ou ainda, como sua visão crítica sobre determinada área ou tema pode ser compartilhada com toda a comunidade científica nacional na forma de um artigo geral ou mesmo de um editorial.

Em constante transformação e acompanhando as tendências de como a ciência é produzida e lida no Brasil e no mundo, há seis meses a Química Nova passou por uma reestruturação editorial. Houve a renovação do corpo de editores e a ampliação das áreas de expertise, em consonância com as linhas de pesquisa em destaque no país. Políticas editoriais internas foram revisitadas, buscando aprimoramento contínuo dos processos, reforçando a excelência em sua trajetória de publicação.

Priorizamos a redução significativa do tempo de análise dos manuscritos, com acompanhamento sistemático e forte engajamento da equipe editorial e dos revisores, em uma contribuição voluntária fundamental para manter a qualidade das publicações, passamos a ter prazos mais exíguos para emissão dos pareceres e, em apenas seis meses, observamos uma melhora neste parâmetro, com queda de 40% nesse tempo (Figura 2), que atualmente está em menos de três meses entre a submissão e a publicação, nos casos de aceite. Este cenário coloca a Química Nova em condições próximas a periódicos de química multidisciplinares publicados por casas editoriais de sociedades de química estrangeiras consolidadas há mais tempo.
Assim, a revista serve à comunidade científica de maneira mais ágil, dinâmica e motivadora, apresentando uma Química de altíssimo nível e fortalecendo ainda mais seu papel como referência.

Figura 2. Tempo médio (em dias) entre a submissão e o aceite dos trabalhos
na Química Nova

Até o final de 2025, a Química Nova alcançou a marca de 333 fascículos em 48 volumes publicados. Com uma média anual de cerca de 325 submissões, atingimos naquele ano um índice de 55% de trabalhos aprovados para publicação.

Em 2026, a Química Nova consolidou-se como uma revista de volume único anual, com publicações contínuas. Os artigos aceitos passaram a ser disponibilizados com DOI (digital object identifier) e citação completa poucos dias após a formatação final e aprovação do proof, garantindo maior agilidade e alinhamento às tendências globais de publicação científica. Esse novo formato moderniza a apresentação da revista e oferece mais dinamismo ao leitor. Artigos de destaque continuarão a receber visibilidade especial, enquanto os editoriais passam a ser lançados mensalmente, fortalecendo o diálogo com a comunidade científica. Com essas mudanças, buscamos desenhar uma nova forma de aproveitar a Química Nova: versátil, atualizada e comprometida em trazer o que há de melhor da ciência nacional.

Existe um aspecto que deve ser discutido nesse ponto: manter uma revista de qualidade é um trabalho que depende de muita gente – e boa parte desse trabalho acontece nos bastidores. Publicar na Química Nova é, sim, uma forma direta de fortalecer a ciência nacional. Mas há outra contribuição que importa tanto quanto a qualidade do material publicado, e que costuma passar despercebida: a revisão por pares. Sem revisores dispostos a avaliar com rigor e dentro dos prazos, nenhuma melhoria editorial resolve o problema. Um dos entraves mais recorrentes enfrentados no processo de revisão é encontrar pesquisadores disponíveis para avaliar manuscritos. Não é uma dificuldade pontual. A cultura de contribuição voluntária ao sistema de revisão ainda é incipiente no Brasil, e a Química Nova paga o preço diretamente, em tempo e em qualidade. Cada convite recusado adia a decisão sobre os trabalhos submetidos, comprometendo a agilidade para responder a quem submeteu. Por isso, o pedido é simples: se você é membro da SBQ ou pesquisador ativo em qualquer área da Química, aceite o próximo convite de revisão. O comprometimento dos revisores é essencial para levar a Química Nova a novos patamares de excelência.

Assim, a Química Nova reafirma seu compromisso com uma política editorial ética e com a valorização da ciência nacional. Convidamos toda a comunidade a se juntar a nós – autores, revisores e leitores, ampliando o alcance da revista por meio da divulgação dos artigos publicados. Juntos, fortalecemos a química brasileira e sua presença no cenário científico internacional.

Cassiana C. Montagnera

Editora-Chefe da Química Nova
aInstituto de Química, Universidade Estadual de Campinas, 13083-970 Campinas – SP, Brasil

https://orcid.org/0000-0002-6475-5969

Clarice D. B. do Amaralb

Editora Executiva da Química Nova
bDepartamento de Química, Universidade Federal do Paraná, 81531-980 Curitiba – PR, Brasil

https://orcid.org/0000-0002-4311-6113

Gustavo F. S. Andradec

Editor Executivo da Química Nova
cDepartamento de Química, Universidade Federal de Juiz de Fora, 36036-900 Juiz de Fora – MG, Brasil

https://orcid.org/0000-0003-0718-9400

Júlio S. Rebouçasd

Editor Executivo da Química Nova
dDepartamento de Química, Universidade Federal da Paraíba, 58051-970 João Pessoa – PB, Brasil

https://orcid.org/0000-0003-3818-029X

Rodrigo O. M. A. de Souzae

Editor Executivo da Química Nova
eInstituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 21941-909 Rio de Janeiro – RJ, Brasil

https://orcid.org/0000-0002-6422-4025

Referências

  1. Peixoto, E. M. A.; Quim. Nova 1978, 1, 46. [Link] acessado em maio
    2026
  2. Cadore, S.; de Andrade, J. B.; Quim. Nova 2007, 30, 1435. [Crossref]

Link - Licença CC-BY