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A RVQ na Era Pós-Qualis

RVQ in the Post-Qualis Era

RVq, vol. 18, No. 04, 2026

A CAPES tomou uma decisão que resultou na descontinuidade do Qualis como sistema de classificação de periódicos. Isso impactou a comunidade acadêmica, já acostumada com essa métrica, utilizada há mais de duas décadas para avaliar a produção dos pesquisadores ou os programas de pós-graduação, em especial porque não há muita clareza sobre quais critérios serão utilizados, de forma geral. Os periódicos eram classificados em uma faixa que ia de A até C. No estrato A, revistas consideradas de impacto mais alto, e no estrato C, revistas sem qualificação mínima.

Apesar de a comunidade de pesquisadores já estar habituada a essa forma de classificação, o Qualis recebia diversas críticas, como a hierarquização dos periódicos
e a valorização excessiva de métricas em detrimento do impacto real das publicações, em especial porque considerava especialmente o impacto das revistas e não as especificidades de cada área. Uma consequência do Qualis foi a submissão de artigos direcionada principalmente pelo estrato da revista, e não por seu escopo ou por características compatíveis com o conteúdo do estudo, além da ênfase excessiva em
critérios quantitativos, como fator de impacto, indexação ou classificação.

A nova proposta tem alguns direcionamentos no próximo quadriênio (2025-2028). A ideia inicial é considerar o artigo em si, independente da revista, mas combinado com fatores bibliométricos e análises qualitativas do comitê avaliador de cada área do conhecimento, tais como inovação, relevância social e rigor teórico, sem esquecer da perspectiva que estas características variam grandemente dependendo da área do conhecimento. Outro aspecto é que os periódicos passam a ser avaliados como Consolidado, Em Consolidação e Não Consolidado.

A editoria da RVQ compreende que estas mudanças podem ser benéficas para esta revista. Tradicionalmente, a RVQ sempre foi qualificada no extrato B. Inicialmente
B2, posteriormente B1, com um bom impacto nacional, mas baixo impacto internacional porque seus artigos são majoritariamente publicados em português, além de contar com artigos de revisão, educação e de difusão científica, que contam com alto índice de downloads e leituras, mas que não são citados em outros artigos, considerando-se suas naturezas. Mesmo assim, seu citescore vem se mantendo em torno de 0,5 há mais de 10 anos.

Neste aspecto, a RVQ poderá ser classificada como uma revista Consolidada, pois seus artigos impactam diversos públicos, desde o nível médio até a pós-graduação, além de ser publicada de forma frequente e constante há 18 anos, com 18 volumes, 100 números e mais de 1700 artigos nas diversas áreas do conhecimento químico e com adequada métrica em mecanismos bibliométricos. Esses dados só são possíveis graças aos nossos autores, que sempre procuraram publicar seus trabalhos na RVQ, com base nas suas diferentes seções e sempre tendo em vista o escopo da revista. E é assim que os editores entendem que um trabalho científico deve ser publicado. Não por uma letra que hierarquiza, mas pela temática que a revista oferece aos direcionamentos dos artigos escritos pelos seus autores.

Heveline Silvaa

aUniversidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Exatas,  Departamento de Química, CEP 31270-901, Belo Horizonte-MG, Brasil

https://orcid.org/0000-0003-3537-4961

Iêda Maria Garcia dos Santosb

bUniversidade Federal da Paraíba, Campus I, Centros de Ciências Exatas e da Natureza, Departamento de Química, CEP 58051-900, João Pessoa-PB, Brasil

https://orcid.org/0000-0002-3349-3994

Marcela Cristina de Moraesc

cUniversidade Federal Fluminense, Campus Valonguinho, Instituto de Química, CEP 24020-141, Niterói-RJ, Brasil

https://orcid.org/0000-0001-7448-5301

Márlon Herbert Flora Barbosa Soaresd

dUniversidade Federal de Goiás, Campus Samambaia, Instituto de Química, CEP 74690-900, Goiânia-GO, Brasil

https://orcid.org/0000-0002-3273-8603

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