
Do “Anão Dunga” ao Gigante da Química Farmacêutica
RVq, Vol 16, Nº 02, 2024
A Química e a Farmácia perderam em 08 de abril de 2024 um dos ícones que representava de forma contundente ambas as áreas.
O legado deixado pelo Prof. Eliezer Jesus de Lacerda Barreiro é uma verdadeira jornada que atravessa os campos da Química e da Farmácia, abrangendo não apenas o conhecimento técnico, mas também a paixão pelo ensino, tecnologia e inovação. De fato, o Prof. Barreiro notoriamente transitava como ninguém entre as áreas da Química e da química Farmacêutica/Química Medicinal. Sua trajetória inicial, foi marcada pelo interesse no isolamento de produtos naturais e sua aplicação na síntese de moléculas similares às prostaglandinas, que reflete não apenas um domínio da ciência, mas uma visão ampla do potencial terapêutico de compostos naturais.
Iniciou sua carreira após concluir seu doutorado na França, sob a orientação do renomado Prof. Pierre Crabé, demonstrando desde cedo um compromisso com a excelência científica. Suas pesquisas pioneiras sobre produtos naturais abundantes, como ponto de partida para a síntese de novas moléculas, destacam-se como uma abordagem criativa e pragmática na busca por compostos bioativos com potencial farmacológico. Ao longo de sua carreira, observamos uma evolução em seu foco de pesquisa, refletindo uma mente inquieta e curiosa. Gradualmente, o Prof. Barreiro expandiu seus horizontes além da química de prostaglandina, explorando novas famílias de substâncias bioativas. Esse movimento revela não apenas uma adaptabilidade científica notável, mas também um profundo compromisso com a descoberta de soluções inovadoras para desafios na Química e na Farmácia. Sempre destacou que o Brasil precisa de um fármaco que fale a língua portuguesa.
É tocante e inspirador observar a dedicação incansável do Prof. Eliezer Jesus de Lacerda Barreiro em meio às adversidades de uma doença grave. Sua persistência em continuar trabalhando com o mesmo entusiasmo é verdadeiramente impressionante e revela não apenas sua paixão pela ciência, mas também seu compromisso inabalável com o avanço do conhecimento.
Ao longo de sua carreira, o Prof. Barreiro sempre foi reconhecido como um acadêmico de primeira linha, respeitado em todo o Brasil. Mesmo debilitado com sua doença, transformou sua casa em um centro de atividades científicas, onde ele liderava reuniões do INCT, escrevia para seu blog, orientava alunos, gravava vídeos e mantinha sua correspondência em dia. Essa capacidade de manter-se ativo e produtivo, mesmo enfrentando desafios pessoais, reflete sua determinação e seu profundo compromisso com suas responsabilidades acadêmicas.
A máxima que ele defendia, “se alguma coisa precisa ser feita, tem que ser bem feita”, personifica sua abordagem meticulosa e comprometida com a excelência em tudo o que fazia. Seu legado acadêmico é vasto e diversificado, incluindo centenas de trabalhos científicos, livros, patentes e orientações em todos os níveis educacionais. No entanto, seu verdadeiro amor estava na docência, onde ele encontrava alegria em compartilhar seu conhecimento e inspirar novas gerações de cientistas e farmacêuticos.
A perda do Prof. Eliezer Jesus de Lacerda Barreiro é profundamente sentida não apenas pelas comunidades científicas, mas por todos aqueles que reconhecem a importância de sua contribuição para o avanço da ciência e o desenvolvimento de novas terapias farmacêuticas.
Seu trabalho incansável e sua capacidade de explorar novos caminhos continuarão a influenciar e inspirar futuras gerações de pesquisadores, deixando um legado duradouro e significativo no campo da Química e da Farmácia.
O Prof. Eliezer recebeu esse afetuoso apelido de “Dunga” dado pelo seu grande amigo Prof. Angelo da Cunha Pinto. Em seu laboratório ainda existe uma estátua do Dunga
que lhe foi presenteada. Esse símbolo ainda vai presenciar muitos novos processos químicos e novas moléculas. Com esse editorial, a Revista Virtual de Química
homenageia um dos entusiastas da criação da Revista com seu grande amigo Angelo da Cunha Pinto, além de ser um colaborador no corpo editorial.